Mitos

1) O ALZHEIMER ESTÁ ATINGINDO MAIS GENTE!1) O ALZHEIMER ESTÁ ATINGINDO MAIS GENTE!Mais ou menos! Não se preocupe com o fato do Alzheimer estar atingindo mais gente pelo fato de se tornar algo “contagioso” ou de fácil manifestação nos dias de hoje. Sim, nosso estilo de vida cada vez mais sedentário (falo até por mim) contribui para uma projeção alarmante de futuro.  Estamos envelhecendo mais, de acordo com o IBGE nossa expectativa média de vida no Brasil é de 72.5 anos, sendo que em 1990 era de 65.3. Estamos envelhecendo mais e de forma irresponsável, envelhecer é o principal fator de risco da doença. Hoje passamos a entender mais o Alzheimer e deixar de lado rótulos comumente utilizados por nossos avós. Quem nunca ouviu falar que fulano ficou caduco e beltrana estava esclerosada. Agora há um diagnóstico mais estruturado, e por conta disso estamos vivenciando mais a realidade do Alzheimer.

2) MINHA AVÓ SEMPRE SE EXERCITOU E MESMO ASSIM TEVE ALZHEIMER! É bem comum ouvir isso, eu mesmo passei anos falando que minha avó leu a vida inteira e ainda assim aos 73 anos teve a doença diagnosticada. Achava então que esse negócio de ler e fazer palavras cruzadas era a maior balela! Mas se pararmos para analisar, sendo que a doença pode ser, em ocorrências normais, manifestada a partir dos 65 anos, minha avó não teve Alzheimer assim tãããão cedo. Se ela não tivesse feito palavras cruzadas por tantos anos, evitado a diabete e houvesse se isolado da família, talvez o Alzheimer tivesse batido em nossa porta alguns anos antes. É duro pensar assim, mas tudo o que fazemos de bom para nossa saúde física, mental e emocional colabora para tardar ou evitar a doença. Em contrapartida os abusos ao longo da vida facilitam o caminho do Alzheimer.

3) DEPOIS QUE MEU AVÔ MORREU MINHA AVÓ FICOU COM ALZHEIMER! Muito se escuta sobre os “gatilhos” que hipoteticamente causaram a doença, mas isso não é bem verdade. Como já vimos, o Alzheimer se inicia na nossa fisiologia pelo menos dez anos antes dos primeiros sintomas. Entretanto quando há uma quebra de rotina e um sobrecarga emocional, comum na perda de pessoas queridas ou em qualquer outra grande mudança em nossas vidas, pode ser o gatilho que precisamos para identificar as perdas e finalmente diagnosticar o Alzheimer. Perder um marido depois de longos anos juntos ou o trauma de perder um filho mexe bastante com nossa rotina e derruba nossa estabilidade emocional, também é quando o idoso passa a ter mais atenção de outros familiares, e pequenos sinais que antes eram de responsabilidade da velhice acabam se agravando, dando origem ao diagnóstico.

4) ALZHEIMER É ESQUECIMENTO!Não caia nessa, eu sempre achei que “Procurando Nemo” era Alzheimer, e que minha avó ficaria igual a Dory, a peixinha que tinha amnésia. Os primeiros sintomas da doença podem flutuar, tudo depende da vivência dessa pessoa, da rotina, da atenção do familiar ou simplesmente onde vai desembocar a atenção de seus familiares. Pode ser que o primeiro sintoma seja a desorientação ou o isolamento, por exemplo. Em contrapartida vale ressaltar que nem todo esquecimento é Alzheimer. Pode ser também estresse, depressão ou conseqüência de outras demências de menor ocorrência, algumas até reversíveis como a hidrocefalia ou deficiência de vitaminas (B12 ou B1), doenças infecciosas que afetam o sistema nervoso como a sífilis, tumores cerebrais e por aí vai.

5) ALZHEIMER É COISA DE VELHO! Auto lá! É verdade que as chances aumentam drasticamente depois dos 65 anos, dobrando as chances a cada 5 anos vividos, porém é possível diagnosticar a doença em raras situações precoces, normalmente a partir dos 40 anos.

6) NÃO VALE A PENA TRATAR UMA DOENÇA SEM CURA! Por Dios, não pense isso! Hoje está crescendo cada vez mais a onda dos cuidados paliativos, e é muito necessário entrarmos nessa discussão. Tratamentos medicamentos e também NÃO medicamentos, principalmente quando associados, podem promover mais qualidade de vida, minimizar perdas e sintomas e oferecer uma sobrevida de nossa independência quando aplicados nas fases mais iniciais do Alzheimer. Vale ressaltar que mesmo na fase mais grave da doença esses tratamentos não devem ser suspensos sem uma conversa com os profissionais que acompanham o idoso, pois por mais que não percebamos, eles têm um efeito tranqüilizador e até podem ser responsáveis pelo não surgimento de alguns sintomas como a agitação e os demais transtornos de comportamento.